23 Fevereiro 2021
Na ONU, ministro das Relações Exteriores denuncia perseguição ideológica das redes sociais

Na ONU, ministro das Relações Exteriores denuncia perseguição ideológica das redes sociais

O ministro das Relações Exteriores, Ernesto Araújo, denunciou nesta segunda-feira (22) em discurso na 46ª sessão do Conselho de Direitos Humanos da Organização das Nações Unidas a tirania das big techs, apelidado por ele de “tecnototalitarismo”. Segundo ele, as redes sociais estão sendo utilizadas para perseguição ideológica.

“O grande desafio de hoje é aquilo que chamo de ‘tecno-totalitarismo’; do bloqueio de plataforma e sites até o controle de conteúdo e informações, das medidas judiciais e leis que criminalizam atividades online até o emprego abusivo equivocado de algoritmos”, salientou Araújo.

Ao defender as liberdades fundamentais, o chanceler propôs mecanismos para que os países possam dar um salto tecnológico “sem cair no abismo da autodestruição”. O ministro também criticou as políticas de lockdown em vários países, que têm adotado isolamentos rígidos para conter a Covid-19, resultando numa restrição radical das liberdades civis e rechaçou o que chamou de “lockdown do espírito humano”.

“Sociedades inteiras estão se habituando à ideia de que é preciso sacrificar a liberdade em nome da saúde. Não critico as medidas de lockdown e semelhantes que tantos países aplicam, mas não se pode aceitar um lockdown do espírito humano, o qual depende fundamentalmente da liberdade e dos direitos humanos para exercer-se em sua plenitude”, afirmou.

Araújo ressaltou também a importância de garantir que a tecnologia respeite os direitos humanos e as liberdades dos homens e mulheres.

“Nossa tarefa é garantir que essas tecnologias sirvam para libertar e engrandecer o ser humano, a partir da sua dignidade intrínseca, e não para submetê-lo ou apequená-lo transformando cada homem e mulher em uma simples coleção de dados a serem explorados. Está em nossas mãos garantir que a tecnologia trabalhe a favor, e não contra os direitos humanos, a democracia e o estado de direito”, disse o chanceler.