07 Abril 2021
Por que novo ministro da Justiça de Bolsonaro vai mudar o comando da Polícia Federal

Por que novo ministro da Justiça de Bolsonaro vai mudar o comando da Polícia Federal

Com o aval do presidente Jair Bolsonaro, o novo ministro da Justiça e Segurança Pública, Anderson Torres, vai exonerar do cargo o diretor-geral da Polícia Federal, Rolando de Souza, e escolher um substituto. Torres também irá trocar o chefe da Polícia Rodoviária Federal, Eduardo Aggio. Os novos comandantes da PF e da PRF devem ser anunciados nos próximos dias.

O discurso no governo é o de que Bolsonaro deu liberdade total para o novo ministro da Justiça montar sua equipe com as indicações que ele achar pertinente para os cargos — daí a escolha de um novo diretor-geral para a PF. Será a segunda troca no comando da Polícia Federal desde o início do governo Jair Bolsonaro.

Na cerimônia de posse de Torres, nesta terça-feira (6), Bolsonaro disse que "mudanças são naturais". "E a gente sabe que você, Torres, todas as mudanças que efetuará no seu Ministério é (sic) para melhor adequá-lo ao objetivo, ao qual você traçou. Você quer o Ministério da Justiça o mais focado possível para o bem de todos em nosso país", afirmou.

Durante a gestão Rolando de Souza, a PF abriu inquéritos que incomodaram Bolsonaro. O mais recente deles, iniciado em março, investiga negócios envolvendo Jair Renan Bolsonaro, o filho “Zero Quatro” do presidente. Segundo a Procuradoria da República no Distrito Federal, o objetivo é saber se houve crime de tráfico de influência e lavagem de dinheiro envolvendo um grupo empresarial do setor de mineração e o filho de Bolsonaro.

Também foi aberto inquérito contra o ex-ministro da Saúde Eduardo Pazuello para apurar se ele cometeu crimes na gestão da pandemia. Outras duas apurações em andamento na PF que interessam indiretamente o presidente são as que tratam dos atos antidemocráticos e o chamado inquérito das fake news.

A definição sobre a mudança na PF foi feita após uma conversa entre Bolsonaro e o novo ministro, anunciado na semana passada. Delegado de carreira da Polícia Federal, Torres mantém relação próxima com o presidente da República desde o tempo em que os dois trabalhavam na Câmara dos Deputados — enquanto Bolsonaro foi deputado federal, o agora ministro foi assessor legislativo de uma associação de delegados Polícia Federal e também chefe de gabinete do ex-deputado federal Fernando Francischini (PSL-PR).

A segunda troca na diretoria-geral da PF vem onze meses após a polêmica substituição do delegado Maurício Valeixo, que levou ao pedido de demissão do ex-ministro da Justiça, Sergio Moro, sob alegação de interferência política no órgão. À época, Bolsonaro pressionava pela troca no comando da Polícia Federal, o que, segundo Moro, poderia levar a "relações impróprias".

Com a saída do ex-juiz da Lava Jato do ministério, Bolsonaro ficou com o caminho livre para indicar um chefe de sua preferência na PF. Na ocasião, o plano de Bolsonaro era nomear o delegado Alexandre Ramagem, diretor-geral da Agência Brasileira de Inteligência (Abin), mas a indicação foi barrada pelo ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Alexandre de Moraes por supostamente infringir o princípio da impessoalidade na administração pública. Ramagem é o amigo dos filhos de Bolsonaro. Rolando de Souza, que trabalhava com Ramagem na Abin, foi a alternativa encontrada para dirigir a PF.


A PF conduz um inquérito aberto por ordem do STF para apurar se Bolsonaro interferiu indevidamente no órgão, alegação que foi feita por Moro. Um dos episódios sob investigação, nesse caso, é a reunião interministerial de abril de 2020, em que Bolsonaro se queixou da Polícia Federal por, supostamente, não lhe dar “informações”. Moro diz que nessa reunião o presidente deixa claro a intenção de interferir na PF.

O inquérito está em fase final de apuração, mas está travado diante do impasse sobre a coleta do depoimento de Bolsonaro. O plenário do STF precisa decidir se o presidente pode ou não abrir mão de ser submetido a interrogatório por figurar na condição de investigado no inquérito. Informações da Gazeta do Povo.