A política do Recife é conhecida por ser intensa, mas quando a máquina pública parece ser usada para intimidar o legislativo, o prejuízo à democracia é imediato e o desgaste para o Executivo é inevitável. Com este pensamento os aliados do próprio PSB e também do PT que miram as próximas eleições para o Governo do Estado acham que João Campos entra num campo perigoso para quando financia blogueiros para atacar o vereador Eduardo Moura do NOVO.
Eduardo Moura tem se posicionado como um dos principais críticos à carga tributária e à eficiência dos gastos na capital pernambucana. Com isso, está incomodando tanto o prefeito que vem causando uma visível instabilidade comportamental no líder do PSB.
Para o prefeito, que lidera as pesquisas, entrar em um embate direto com um partido de nicho como o NOVO pode parecer desnecessário, mas o temor da prefeitura reside na capacidade de Moura de pautar as redes sociais e influenciar a classe média e o setor produtivo.
Se a estratégia de "abater" a oposição via blogs patrocinados continuar, João Campos corre o risco de chegar ao período oficial de campanha carregando o selo de autoritário. Em uma eleição onde o prefeito está numa posição de certa comodidade nas pesquisas, cada ponto percentual conta para uma vitória no primeiro turno e o custo desse desgaste pode ser, de fato, incalculável.
O custo do ataque e o efeito bumerangue
A estratégia do núcleo duro da Prefeitura do Recife de mirar baterias contra o vereador Eduardo Moura (NOVO) via blogs alinhados pode ser mesmo um tiro no pé. O que parece ser uma tentativa de "asfixiar" a oposição no Legislativo está gerando um efeito colateral indesejado: a vitimização de Moura, que agora ganha um palanque de resistência que nem o próprio partido NOVO conseguiria montar sozinho.
Dinheiro Público e Teclados Amestrados
O barulho nos bastidores da Câmara é um só: o uso de verbas publicitárias da PCR para inflar narrativas contra adversários. Se a oposição conseguir ligar os pontos entre os pagamentos oficiais e a linha editorial desses blogs, João Campos terá que explicar por que o dinheiro do contribuinte recifense está sendo usado para o "tiro ao alvo" eleitoral.
Erro de Cálculo?
Para um prefeito que ostenta altos índices de aprovação e tenta vender uma imagem de "nova política", o uso de métodos que remetem ao coronelismo digital é um erro tático primário. Ao tentar silenciar uma voz crítica, a gestão acaba validando as denúncias de Moura e entregando a ele o selo de "único fiscal da máquina".
Aliados Botando Gosto Ruim
Interlocutores da Frente Popular (incluindo não só lideranças do PSB, mas também do PT) já demonstram preocupação. O temor é que esse desgaste desnecessário manche a "estética da perfeição" que a pré-campanha de João Campos tenta manter. Na política, como se sabe, o excesso de confiança é o primeiro passo para o erro. Ou pior, para derrota. Que o diga o seu bizavô, Miguel Arraes quando sofreu a derrota de mais de um milhão de votos para Jarbas em 1994.

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