O cenário político de Pernambuco converge amanhã, 28 de março, para o Teatro Beberibe, no Centro de Convenções. A reunião do Diretório Estadual do PT não é apenas mais um encontro burocrático; é o evento que deve selar o destino das oposições e do governo para 2026. Após anos de uma relação marcada por idas e vindas, o PT pernambucano chega ao Teatro Beberibe com um consenso raro: a marchar com a pré-candidatura de João Campos (PSB) ao Governo do Estado. O senador Humberto Costa, principal termômetro do partido, já antecipou a tendência: "A marcha é com João". O movimento isola as alas que ainda flertavam com uma aproximação com o Palácio do Campo das Princesas.
Unidade em torno de Lula:
O principal argumento que será usado no palco do Beberibe é a necessidade de um "palanque único e forte" para a reeleição do presidente Lula. O PT entende que dividir a esquerda no estado agora seria dar munição para o crescimento da direita bolsonarista. Embora o apoio a João seja o prato principal, o tempero da reunião será a discussão sobre as vagas na chapa majoritária. O PT entra no teatro com exigências claras para oficializar o noivado. A reeleição de Humberto é a prioridade zero da legenda nacional e estadual.
Com a recente filiação de Marília ao PDT e sua aproximação com João Campos, o PT precisa discutir como acomodar a ex-deputada sem perder o protagonismo na chapa. Embora o Republicanos de Silvio Costa Filho esteja no páreo com o nome de Carlos Costa, setores do PT ainda sonham em indicar o vice para garantir uma "chapa puro-sangue de esquerda".
O Dilema entre a Ideologia e o Realismo
Se no Teatro Beberibe o discurso será de oposição frontal à governadora Raquel Lyra, nos corredores da Assembleia o tom deve ser mais cauteloso. A bancada do PT na Alepe, liderada por nomes como Doriel Barros e Rosa Amorim, transita em um campo minado. Com a decisão do diretório amanhã, a bancada estadual perde o salvo-conduto para votações de "conveniência" com o Governo. A ordem será oposição sistemática, especialmente em pautas que toquem no funcionalismo público e em privatizações.
O PT tem sido um aliado tático do presidente da Alepe, Álvaro Porto (PSDB) - que é um rival intransigente da governadora - em seus embates contra o Palácio. A expectativa é que os deputados petistas usem essa aliança para desgastar Raquel Lyra "por dentro" do Legislativo, sem necessariamente parecerem submissos ao PSB de João Campos logo de cara. Muitos deputados estaduais do PT possuem bases que dependem de convênios e ações do Governo do Estado. O desafio de amanhã será unificar o discurso: como ser oposição radical no Recife e manter as entregas para os sindicatos e movimentos sociais no Sertão e no Agreste?
O que esperar das resoluções
Não espere apenas um aperto de mão. A resolução que sairá amanhã deve ser enfática em dois pontos. O PT deve subir o tom contra a atual governadora, carimbando-a definitivamente como adversária do projeto de Lula. O Teatro Beberibe será o ponto de partida para as caravanas que João Campos pretende fazer pelo interior nos próximos meses, já com o PT a tiracolo. Vou sugerir que fiquemos atentos aos discursos de João Paulo e Doriel Barros. Se eles adotarem um tom de "unidade total contra o projeto da governadora", estará dado o sinal de que a trégua na Alepe acabou de vez.
A Conexão Brasília Pernambuco pergunta: Será que o passe de Humberto foi realmente valorizado com a ausência no lançamento da pré-candidatura de João na última sexta (20)?

0 Comentários