A pré-campanha política de Pernambuco ganhou contornos de alta voltagem com o movimento cirúrgico - e barulhento - liderado pelo deputado federal Eduardo da Fonte (PP). O que muitos já esperavam nos bastidores se concretizou em uma votação na Federação União Progressista (PP e União Brasil): Dudu carimbou seu nome como pré-candidato ao Senado na chapa majoritária da governadora Raquel Lyra (PSD). O gesto, contudo, passou longe de ser pacífico e abriu uma crise interna que promete ecoar até Brasília.
A Força do PP Contra o Recado de Rueda
Ao usar a maioria da bancada para aprovar seu nome por cinco votos, Dudu da Fonte atropelou o freio de mão tentado pela Executiva Nacional. Antes mesmo da reunião terminar, o presidente nacional da federação, Antônio de Rueda, emitiu uma nota oficial dura, alertando que qualquer deliberação local sobre o Senado não teria validade. A ala do União Brasil, liderada no estado por Miguel Coelho, compareceu ao encontro, mas se absteve de votar, deixando claro que o partido não reconhece o resultado e vai brigar pela vaga nas convenções nacionais.
O Dilema no Sertão: Guilherme e Miguel Coelho
Esse movimento joga uma fumaça densa sobre o jogo político do Sertão do São Francisco, especialmente em Petrolina. Miguel Coelho (União Brasil) mantém sua pré-candidatura firme ao Senado, ignorando o rolo compressor de Dudu, e conta com o peso do clã político liderado pelo ex-senador Fernando Bezerra Coelho.
No meio desse fogo cruzado, fica Guilherme Coelho. Homem forte da fruticultura no Vale, Guilherme, que está agora no partido da governadora (PSD), assiste a tudo na expectativa de que de tudo certo entre seu clã, Raquel e as forças políticas locais da sua própria região. A grande indagação que circula nos bastidores é: até onde vai a corda dessa federação antes de arrebentar?
O Silêncio Estratégico de Raquel Lyra
Enquanto o parquinho do PP e do União Brasil pega fogo, a governadora Raquel Lyra assiste a tudo de camarote, mantendo seu tradicional estilo fleumático e enigmático. Raquel sabe que tem duas vagas valiosíssimas para o Senado em sua chapa, mas o número de pretendentes não para de crescer.
Fechar com Dudu da Fonte garante a Raquel o robusto tempo de TV e a capilaridade do PP, mas ao custo de criar uma fratura exposta com o União Brasil dos Coelho que, inclusive, ventila a indicação de Antônio Coelho para a vice-governadoria como moeda de troca.
Para complicar ainda mais o quebra-cabeça da governadora, a disputa pela segunda vaga ferve dentro do seu próprio partido, o PSD:
- O atual senador Fernando Dueire busca a reeleição com ampla aceitação de setores tradicionais.
- O deputado federal Túlio Gadêlha corre por fora, tentando tensionar o partido para garantir uma ala mais progressista no palanque majoritário da governadora.
Bastidor
A antecipação de Eduardo da Fonte não foi um ato de impulsividade; foi um movimento calculado para forçar o Palácio do Campo das Princesas a sentar à mesa de negociações com o PP em posição de clara vantagem. Ao cravar o nome na ata local, Dudu avisa ao mercado que não aceitará o papel de coadjuvante. Resta saber se Raquel Lyra vai ceder à pressão do rolo compressor ou se usará o tempo a seu favor para ditar, ela mesma, o ritmo do jogo. O inverno político em Pernambuco começou com a temperatura máxima. Mas, como disse antes, passado o São João, ainda tem as férias das crianças.
A Conexão Brasília Pernambuco quer saber: Raquel vai mesmo deixar para o último minuto da prorrogação para escolher seus dois senadores?

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