Quem acompanha as recentes andanças e entrevistas de João Campos pelo interior de Pernambuco - com passagens marcantes por cidades como Triunfo, Belém de São Francisco e Floresta - percebe rapidamente a tática adotada pelo ex-prefeito do Recife ao ser emparedado pelos microfones das rádios locais. Questionado sobre a presença do presidente Lula em seu palanque, João garante que o petista estará ao seu lado, mas escorrega no sabão ao ser cobrado sobre diálogos diretos. Desconversa, não crava acertos de bastidor e evita detalhar o planejamento político.
A acrobacia verbal ficou ainda mais evidente quando o ex-prefeito tentou ajustar as contas com o passado recente respondendo a pergunta do comunicador Luciano Lima. Ao afirmar publicamente que “nunca falou mal de Lula”, João parece se esquecer, ou fingir esquecer, do tom bélico adotado na disputa pela Prefeitura do Recife em 2020 contra Marília Arraes. Se poupou a figura do presidente, João e sua campanha atacaram sem trégua o PT, a estrela vermelha e o núcleo duro do lulismo na época. Dizer agora que sempre manteve uma linha de neutralidade com o ecossistema petista é uma tentativa sutil de reescrever a história para caber na conveniência do presente.
Nas suas passagens pelo Sertão de Itaparica e do Pajeú, essa habilidade de contornar espinhos se repete. Em entrevistas como a concedida à Rádio Educadora ou em encontros com lideranças regionais, o candidato do PSB prefere deslocar o foco das polêmicas partidárias para uma artilharia pesada de promessas populares: fala em zerar o IPVA de motos de até 180 cilindradas, propõe isenção da tarifa da Compesa quando houver falha no rodízio de água, promete regularização fundiária nas ilhas do São Francisco e promete construir o Hospital Regional do Itaparica.
Ao rechear as ondas do rádio com pautas administrativas e apelos diretos ao bolso do eleitor sertanejo, João constrói uma blindagem eficiente. Ele atrai os holofotes para o discurso de gestão e esvazia a pressão por definições sobre alianças incômodas ou passados desconfortáveis. Enquanto a oposição cobra coerência e palanques definidos, o ex-prefeito vai driblando o passado de confrontos e empurrando as definições políticas com a barriga. Para o ouvinte desavisado, ele respondeu às perguntas; para quem lê as entrelinhas do quadro político pernambucano, João disse muito ao tentar não dizer nada.
A Conexão Brasília Pernambuco quer saber: João Campos rodando o Sertão de Pernambuco consegue reverter o crescimento potencial da governadora da região?

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