A razão é simples e calculada. Em Pernambuco, o apoio de Lula é disputado. João Campos (PSB) é o candidato oficial do presidente ao governo. Mas a governadora Raquel Lyra (PSD) mantém uma relação institucional de diálogo com o Planalto, recebe investimentos e evita qualquer confronto direto. Em estados assim, Lula prefere não aparecer e “escolher lado” de forma ostensiva, para não queimar pontes. O mesmo cálculo vale para o Maranhão.
Enquanto isso, a disputa local esquentou de verdade. A pesquisa Quaest mais recente (divulgada em 8 de setembro) colocou Lyra e Campos em empate técnico: 43% a 37%. A vantagem da governadora diminuiu, mas ainda é ela quem lidera. O clima, porém, está cada vez mais pesado. Acusações de “gabinete do ódio”, cartazes ofensivos envolvendo a morte do marido de Raquel e batalhas judiciais no TRE dominam a conversa. A campanha virou uma guerra de narrativas, e o eleitor assiste de camarote.
No Senado a briga também está aberta. Marília Arraes, Humberto Costa, Eduardo da Fonte e Mendonça Filho seguem na disputa pelas duas vagas, e ninguém tem certeza de quem sobra na reta final.
O que se vê, portanto, é uma eleição pernambucana que caminha sozinha. Lula, o maior cabo eleitoral do estado, prefere olhar de longe. João Campos cobra a presença. Raquel Lyra segue colhendo os dividendos da gestão e do silêncio estratégico do presidente. E o eleitor, no meio disso tudo, ainda tem 24 dias para decidir.
Se a profecia se confirmar de vez e Lula realmente não vier, o 4 de outubro em Pernambuco será resolvido sem o peso do presidente no palanque. E isso, por si só, já muda o jogo.
A Conexão Brasília Pernambuco quer saber: a presença de Lula no palanque de João mudaria o quadro das pesquisas?

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