O deputado federal Eduardo da Fonte (Dudu), presidente estadual do PP, encontra-se em um dos seus maiores dilemas estratégicos. Conhecido como o "maior puxador de votos" e exímio articulador de chapas proporcionais, ele agora precisa decidir entre a manutenção da aliança com a governadora Raquel Lyra ou o retorno ao grupo de João Campos. Essa movimentação, segundo aliados do deputado, pode trazer prejuízos para este político (que sempre prezou pelas decisões milimetricamente calculadas) e para a federação União-PP.
O Risco da Perda de Espaço
O PP de Dudu da Fonte sempre foi "a noiva mais cobiçada" das eleições. No entanto, o dilema atual envolve a sobrevivência e o crescimento da bancada. Com Raquel Lyra, o PP ocupa muitos espaços no governo. Segundo o portal da transparência) as vagas são no Detran, Lafepe, Porto do Recife, Ceasa e Turismo com aproximadamente 600 cargos, mas enfrenta a concorrência de outros partidos da base que também buscam o protagonismo na chapa majoritária (como o PSD de Raquel e o PSDB).
Com João Campos, que lidera as pesquisas para o governo e tem uma capacidade de aglutinação que remete ao tempo de Eduardo Campos, Dudu, pode garantir uma vaga na chapa majoritária (Senado) e até uma aliança proporcional mais robusta. Mas enfrenta aliados pessebistas que não gostam muito dessa aproximação.
Rumo ao Senado
Dudu da Fonte tem o desejo latente de disputar uma das duas vagas ao Senado em 2026, mas encontra obstáculo no próprio PSB de João. Na chapa do atual prefeito do Recife, uma vaga já é praticamente do PT (Humberto Costa). A segunda vaga é disputadíssima por nomes como Silvio Costa Filho (Republicanos) e Marília Arraes (PDT). Miguel Coelho (União), mas essa é uma teia de indefinições - que gera uma outra "Fila" - com Raquel. Na base governista, ele também teria que disputar espaço com aliados de primeira hora da governadora, incluindo alguns destes nomes.
A Federação PP e União Brasil
Um fator determinante é a possível federação entre o PP e o União Brasil, se a federação se concretizar, Dudu terá que alinhar seu passo com lideranças como Miguel Coelho. Recentemente, Dudu declarou que o grupo terá "muita responsabilidade" e que o caminho escolhido será o que apresentar o "próximo governador", indicando que ele não descarta nenhum dos lados, mas busca o palanque vencedor.
Então qual será o caminho?
A tendência histórica de Dudu da Fonte é o pragmatismo. Ele dificilmente ficará em um palanque que ameace a diminuição de sua bancada de deputados federais e estaduais - a verdadeira fonte de seu poder político.
Aposta na Reeleição de Raquel: Se a governadora conseguir acelerar as entregas e consolidar sua recuperação nas pesquisas, Dudu tende a ficar, exigindo um espaço de maior destaque. Aliados que já se encontram na base do governo estadual permanecem alegres e felizes onde estão.
O "Salto" para João Campos: Se João Campos mantiver o favoritismo isolado, Dudu pode articular um retorno, usando sua força no interior do estado como moeda de troca, porem enfrentando algumas posições contrarias de aliados dos Campos e perdendo vários deputados estaduais e federais que vão deixar o PP.
Um fato preponderante é que muitos atores políticos ligados a base do deputado líder do PP revelam que: iniciadas essas movimentações, já estão vislumbrando imediatos prejuízos na imagem de exímio articulador político deles.

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