O maior rival eleitoral de João Campos não mora no Recife e atende pelo nome de João


​Diz a máxima da política que os maiores adversários de um prefeito são: o buraco na rua ou a falta de remédio no posto, ou como dizia o meu saudoso chefe e radialista Edvaldo Moraes, o mato crescendo na calçada. Mas, depois de visitar a capital paraibana levando parentes que vieram me visitar de Brasília cheguei a conclusão que para João Campos, o desafio atual parece ter cruzado a fronteira estadual. 

A grande "deusa nêmesis" da atual gestão do Recife não atende por um nome da oposição local, mas sim por um CEP: a Prefeitura de João Pessoa. Enquanto a capital pernambucana se perde em narrativas de marketing digital, dancinhas de rede social e o famoso "nevou", a vizinha paraibana entrega silenciosamente o que o recifense mais deseja: qualidade de vida, segurança e ordem urbana.

A Síndrome da Metrópole Sufocada

​O Recife, outrora a indiscutível "Capital do Nordeste", parece estar em um processo de regressão silenciosa. A cidade está travada. O trânsito recifense já figura entre os piores do mundo, roubando horas preciosas de quem precisa cruzar a Agamenon Magalhães ou a Avenida Norte. Somado a isso, o custo de vida disparou e o centro histórico agoniza entre o abandono e o descaso, servindo mais como cenário de passagem do que como polo de convivência.

​Em contrapartida, olhando a capital João Pessoa, vemos que ela vive um "boom" de crescimento planejado que expõe as feridas do planejamento urbano recifense. Enquanto no Recife brigamos por cada centímetro de calçada e sofremos com alagamentos crônicos a cada chuva, "Jampa" se apresenta como uma alternativa viável, moderna e, acima de tudo, humana.  

O mais vergonhoso da comparação vem agora

O Plano Diretor de João Pessoa, em conjunto com a tradicional "Lei do Gabarito", proíbe a construção de edifícios altos (arranha-céus) na orla marítima para preservar a ventilação, a iluminação natural e a paisagem. Isso dá uma tristeza muito grande em nós, moradores do Recife, que estamos vendo cada vez mais absurdos imobiliários em nossa cidade já há muitos anos.

​A Fuga do Recifense e o Contraste Urbanístico

​Não é apenas uma questão de percepção política; é uma fuga real de capital e de pessoas. O recifense de classe média está, gradualmente, "emigrando" para a Paraíba. O motivo? Lá, o plano diretor é respeitado. Enquanto o Recife assiste a uma verticalização desenfreada que criou uma muralha de prédios na orla, impedindo a ventilação e gerando sombras indesejadas na areia, João Pessoa manteve o rigor. O sol é garantido, a orla é preservada e o cidadão consegue respirar.

​A mobilidade também escancara a diferença. O Recife virou um grande estacionamento a céu aberto, com uma infraestrutura antiga que não suporta mais o volume de veículos. Já a capital paraibana, embora esteja em plena expansão, ainda respira com vias largas, fluxos inteligentes e uma sensação de fluidez que parece um sonho distante para quem vive na capital de Pernambuco.

​O Marketing não resolve o concreto

​João Campos é, inegavelmente, um fenômeno de comunicação. Ele domina o algoritmo e fala com a juventude como poucos. No entanto, o brilho das telas de LED e das redes sociais começa a empalidecer diante da realidade do asfalto. Encontrei varios recifenses jovens que revelaram a tristeza ao comparar as duas capitais dos estados irmãos. O marketing não baixa o preço do aluguel inflacionado do Recife e nem resolve a sensação de insegurança que afasta as pessoas das ruas após o pôr do sol.

​O perigo para o PSB e para o clã Campos não é necessariamente uma derrota nas urnas no curto prazo - já que a popularidade do prefeito ainda é sustentada por obras de maquiagem e eventos de grande visibilidade. O perigo real é a irrelevância regional. Se o Recife continuar regredindo em termos de zeladoria básica e infraestrutura enquanto João Pessoa floresce como o novo hub de bem-estar e investimento do Nordeste, o título de "Veneza Brasileira" ficará restrito aos livros de história. O Recife precisa decidir se quer continuar sendo uma cidade de aparências ou se vai voltar a competir pelo topo com a dignidade que sua história exige.

​A Conexão Brasília Pernambuco pergunta? Até quando a "grife" da prefeitura conseguirá esconder o brilho que vem da Paraíba?

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