Os bastidores políticos de Pernambuco atravessam uma ebulição nesta semana. O que antes eram apenas rumores de corredor na Assembleia Legislativa (Alepe) e nos corredores do Palácio do Campo das Princesas tornou-se realidade. O Progressistas (PP), sob o comando do deputado Eduardo da Fonte, começou seu processo de desembarque oficial do Governo do Estado.
Em contrapartida, a governadora Raquel Lyra não ficou estática. Em um movimento calculado para consolidar sua base, ela transformou o PSD no novo porto seguro para deputados de diversas siglas, redesenhando as forças para o ciclo eleitoral de 2026.
A Ruptura com o PP: Exonerações e Recados
A saída do PP não foi silenciosa. A decisão da governadora de exonerar nomes indicados por Eduardo da Fonte em órgãos estratégicos — como a Ceasa, o Lafepe e o Porto do Recife - foi o sinal definitivo de que a aliança chegou ao fim. O movimento do PP é visto como uma aproximação estratégica ao grupo do prefeito do Recife, João Campos (PSB). Eduardo da Fonte, conhecido por sua habilidade de transitar entre diferentes blocos, parece já ter escolhido um lado na polarização que se desenha para a disputa estadual e ele é craque nestas escolhas ouvindo as vozes da própria cabeça, sem dever satisfação a ninguém.
Trago à minha memória o episódio da articulação da Chapa (Junho de 2022): Eduardo da Fonte foi o principal articulador da aliança entre o PP e o Solidariedade de Marília Arraes. Ele indicou Sebastião Oliveira do Avante para ser o candidato a vice-governador na chapa de Marília, consolidando uma frente de oposição ao PSB, que governava o estado na época.
Pouco tempo após fechar com Marília, Eduardo da Fonte e o PP recuaram da aliança formal para o governo, embora o partido tenha mantido candidaturas proporcionais em conjunto por questões de coligação. O episódio gerou uma situação política curiosa: Sebastião Oliveira, indicado por Da Fonte, permaneceu como vice de Marília Arraes até o fim da eleição, enquanto o seu principal fiador político, Eduardo da Fonte, fazia campanha e pedia votos para a adversária, Raquel Lyra.
O "Super PSD" de Raquel Lyra
Se por um lado o Palácio do Campo das Princesas perde o peso do PP, por outro, Raquel Lyra está construindo um "exército" próprio dentro do PSD. Recentemente, a governadora comandou um ato de filiação que levou sete deputados estaduais e diversas lideranças municipais para o partido. A estratégia clara é de reduzir a dependência de legendas instáveis, pois ao fortalecer o PSD, Raquel garante uma bancada mais fiel e unificada. E também captar maior capilaridade no Interior. A exemplo do que ja havia feito com a aliança firmada com o Avante (Sebastiao Oliveira e o deputado federal, Waldemar Oliveira), muitos dos novos filiados são lideranças com forte votação no Agreste e Sertão, áreas fundamentais para a reeleição.
Tempo de TV e Fundo Partidário: O PSD, sob a batuta nacional de Gilberto Kassab, oferece uma estrutura robusta para enfrentar a máquina da oposição em 2026. "Raquel não pagou para ver. Ao perceber o movimento de Eduardo da Fonte em direção ao PSB, ela antecipou as exonerações e abriu espaço no governo para atrair quem realmente quer estar no projeto", afirma um aliado do governo consultado pelo blog.
O que muda na Alepe?
Com o PSD fortalecido, o mapa de votações na Assembleia Legislativa de Pernambuco tende a ficar mais previsível para o governo, embora o PP agora passe a engrossar as fileiras da oposição (ou de um bloco independente "com pé no PSB").
A governadora manteve nomes pontuais do PP em secretarias menores, como Kaio Maniçoba no Turismo, em uma tentativa de não romper com 100% da bancada, mas o núcleo duro do partido já fala em "precipitação" por parte do estado.
Conclusão: O Jogo Apenas Começou
A saída do PP e o inchaço do PSD são as primeiras grandes movimentações de um 2026 eleitoral que já começou. Raquel Lyra mostra que aprendeu a "fazer política" de forma pragmática, trocando aliados de ocasião por uma estrutura partidária sob seu controle direto.
A Conexão Brasília Pernambuco quer saber:
E agora? Como João Campos irá acomodar o PP em sua chapa, que já está bastante congestionada com nomes do PT e do próprio PSB?

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