Blog do Adriano Roberto

João Campos: O brilho do palanque e as sombras do Recife




João Campos deu a largada. Com o fôlego de quem herdou o DNA da mobilização política, o prefeito do Recife agora se lança às estradas de Pernambuco. Por onde passa, o cenário é de festa: municípios lotados, selfies ensaiadas e um discurso de eficiência que tenta vender o "modelo Recife" para o resto do estado. É a fase de expansão da marca, um esforço para consolidar liderança regional enquanto o clima de "já ganhou" é alimentado por uma poderosa máquina de comunicação. No entanto, o brilho das redes sociais contrasta com o rastro deixado na capital. Para muitos recifenses, a sensação é de que a gestão foi, na verdade, uma grande vitrine eleitoral. O slogan "Daqui para frente, só para trás" começa a ecoar, especialmente agora que o tempo chuvoso resolveu testar a "cidade dos vídeos".


O que se vê nas ruas são obras inacabadas espalhadas por pontos estratégicos, que em vez de solução, tornaram-se multiplicadores de transtornos. Buracos, lama, enchentes e o caos na mobilidade urbana evidenciam que o planejamento não sobreviveu ao cronograma eleitoral. O recifense, que já sofre historicamente com o inverno, agora precisa desviar de canteiros de obras paralisados ou em ritmo de tartaruga, que parecem ter servido apenas para a foto do "início dos serviços".


O problema, porém, não é apenas de engenharia, mas de postura. A truculência que se tenta esconder sob o sorriso do prefeito apareceu de forma nítida no episódio lamentável da ameaça do presidente da Emlurb, Daniel Saboya, ao Colunista do Jornal do Commercio, Igor Maciel. Quando o questionamento sobre a manutenção da cidade e a transparência pública é recebido com intimidação, fica claro o desconforto da gestão fora da bolha da propaganda.


A pressa em percorrer o estado parece ser uma tentativa de ocupar o espaço político antes que o desgaste das ruas alagadas e os episódios de autoritarismo ganhem corpo. Entre o asfalto das estradas e o palanque montado, o rastro de lama e obras inconclusas na prefeitura continua lá, aguardando o veredito de quem vive a cidade real. E todo esse retrocesso se evidencia na queda da popularidade do João segundo as pesquisas de intenção de votos. Por isso, a legitimidade da expressão “daqui pra frente, só pra trás”.


A Conexão Brasília Pernambuco quer saber: Até quando a propaganda de Instagram conseguirá esconder os transtornos das obras inacabadas e a falta de tolerância à crítica que hoje inundam o Recife?

Postar um comentário

0 Comentários