Blog do Adriano Roberto

Teatro em Brasília? O embate Zema x STF e a estratégia para blindar Flávio Bolsonaro

Após o feriadão, Brasília retomou o ritmo com uma temperatura que não vem apenas do sol do Planalto, mas das articulações para 2026. Recebi uma informação de fontes seguras na capital federal que acende um alerta importante: essa escalada de tensão entre o governador de Minas Gerais, Romeu Zema, e o Supremo Tribunal Federal (STF) pode ter muito mais de ensaio do que de improviso.

Para quem acha que essa movimentação de Zema é absurda, vale a pena olhar para o retrovisor. Em 2006, Lula e Geraldo Alckmin trocavam ataques pesadíssimos. Alckmin dizia que o governo Lula "não tinha moral para falar de ética", e o PT respondia chamando os tucanos de "preconceituosos". Anos depois, o que era uma "briga irreconciliável" revelou-se um teatro de circunstância quando os dois se uniram em 2022. Na política, o ataque público muitas vezes serve apenas para marcar território antes de uma aliança nos bastidores.

Outro exemplo clássico de "cortina de fumaça" foi a própria ascensão de Fernando Collor em 1989. Ele se apresentava como o "caçador de marajás", focando toda a munição em um inimigo invisível (a corrupção sistêmica) para desviar a atenção de suas próprias alianças com as oligarquias que ele dizia combater.

O "Fustigador" de Plantão

Não é de hoje que Zema vem subindo o tom contra os ministros da Suprema Corte. Ao chamá-los de "intocáveis" e questionar decisões de forma pública e agressiva, o mineiro não está apenas desabafando. Ele está ocupando um vácuo. Com o ex-presidente Jair Bolsonaro inelegível, a direita precisa de um nome que fale a língua do "bolsonarismo raiz", e o embate com o Judiciário é o prato principal desse cardápio.

A Cortina de Fumaça para Flávio

A grande tese que corre nos bastidores do Congresso é a de que Zema está servindo como um escudo político para o senador Flávio Bolsonaro. Vejam bem a jogada:

Atração de Holofotes: Enquanto Zema vai para o "sacrifício" e atrai a fúria (e os processos) do STF para si, Flávio consegue navegar em águas mais calmas, preservando sua imagem para uma eventual composição de chapa.

O Vídeo da "Dobradinha": Recentemente, vimos os dois em um vídeo descontraído, quase um teste de recepção do público para uma chapa conjunta. Ao colocar Zema na linha de frente do ataque, a família Bolsonaro testa os limites do Judiciário sem expor diretamente o "filho 01".

Bater e Assoprar: Ao mesmo tempo em que flerta com o clã, Zema critica "frutos podres" no PL. Esse movimento parece calculado para manter Zema com uma aura de "independente", permitindo que ele fale o que Flávio, por estratégia jurídica, hoje prefere calar.

O que esperar?

Se é teatro ou convicção, o tempo — e as pesquisas — dirão. O fato é que Zema lançou seu plano de governo em São Paulo focando pesado na polarização. Ele sabe que, para ser o herdeiro dos votos de Bolsonaro, precisa mostrar que tem "casca" para enfrentar Brasília. Na sede do poder, como costumo dizer, até o silêncio tem intenção. Imagine, então, uma gritaria dessas.

A Conexão Brasília Pernambuco quer saber: estamos diante de uma briga real por princípios ou de uma coreografia ensaiada para garantir a sobrevivência política de um grupo e a ascensão de outro?

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