A estrada politica de Pernambuco, em ano de eleições, vive um momento de definições contrastantes para a Federação União-PP. Enquanto o União Brasil, sob a batuta de Miguel Coelho, parece ter selado o destino ao decidir caminhar com a governadora Raquel Lyra, o Progressistas (PP) de Eduardo da Fonte continua mergulhado em uma indecisão que já começa a cobrar o seu preço.
O Erro de Cálculo do PP
Como antecipamos aqui no blog no início de março, aquelas movimentações de Eduardo da Fonte sinalizavam um risco alto. Naquela época, o "esticar de corda" com o Palácio do Campo das Princesas parecia uma estratégia de valorização, mas eu alertei e o tempo mostrou que foi um erro de leitura. Ao não definir um norte claro, o partido começou a sofrer um processo de desgaste interno e externo.
A Rebelião Silenciosa na Base
O grande problema para o comando do PP hoje não é apenas a relação com a governadora, mas a pressão que vem de baixo para cima. Não só os políticos com mandato, mas aqueles que anseiam por uma vaga na política, como pré-candidato deputado estadual ou como pré-candidato a deputado federal, também estão com as “barbas de molho” com a indecisão da cúpula do partido.
A Caneta e as Obras
Deputados estaduais da sigla têm bases eleitorais que dependem diretamente de convênios e projetos do Governo do Estado. Ficar na oposição ou em uma "neutralidade hostil" significa ver verbas para obras essenciais minguarem, o que é um suicídio político em ano que antecede grandes movimentações locais.
Reuniões que Não Decidem
A estratégia de marcar reuniões sucessivas sem um anúncio concreto está virando um "looping" perigoso. Enquanto o PP hesita, outros atores políticos ocupam os espaços vazios no governo. Eduardo da Fonte, conhecido por ser um exímio articulador, parece desta vez ter ficado preso na própria rede.
Veja como a situação do PP é curiosa: enquanto a cúpula (Dudu da Fonte) joga o jogo da espera, a bancada na Alepe tem "pressa de comer" e os pré-candidatos estão como "baratas tontas". Como a governadora Raquel Lyra exonerou recentemente as indicações do partido em órgãos como Lafepe e Ceasa entre outros, o clima esquentou.
Quem quer ficar e quem hesita?
Dentro da Assembleia Legislativa (Alepe), o discurso de "unidade partidária" de Eduardo da Fonte encontra resistência na prática. Alguns deputados já deixaram claro que o caminho mais seguro para suas bases é a manutenção da aliança com o Palácio:
- Kaio Maniçoba: É um dos principais nomes que mantém pontes com o governo. Ele comanda a Secretaria de Turismo e representa o setor do partido que entende que estar no governo é vital para a sobrevivência política.
- Pastor Cleiton Collins e Adalto Santos: Nomes de forte apelo popular e religioso que, tradicionalmente, preferem a proximidade com o poder executivo para viabilizar suas pautas e projetos.
- Jeferson Timóteo e Dannilo Godoy: Deputados que possuem bases em municípios que dependem fortemente de repasses estaduais e obras de infraestrutura, e que veem com muita preocupação qualquer movimento de rompimento definitivo.
- Henrique Queiroz Filho: Outro parlamentar que mantém um diálogo constante com a gestão estadual, priorizando a entrega de resultados nos seus redutos.
Esses deputados são "pé no chão"! É que, para eles, a política de Brasília é importante, mas o convênio para a estrada ou para o hospital do interior é o que garante o mandato. Enquanto esses parlamentares buscam garantir o "pão de cada dia" de suas regiões, a cúpula do PP ensaia um flerte com o PL ou uma volta triunfal ao reduto de João Campos que nunca se concretiza. O risco é o partido chegar em outubro de 2026 com uma bancada formal, mas com o coração (e os votos) já batendo em outra freguesia.
Desde a primeira campanha eleitoral que trabalhei, a de Arraes em 86, aprendi que na política, quem não se posiciona, acaba sendo posicionado pelos outros. O PP de Eduardo da Fonte está jogando para ganhar tempo, mas pode acabar perdendo o grupo.
A Conexão Brasília Pernambuco quer saber: O PP de Eduardo da Fonte vai desembarcar de vez do Governo Raquel Lyra ou vai continuar nesse 'chove não molha' até ver sua bancada se esvaziar?"

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