Blog do Adriano Roberto

Dominando a RMR: Carlos Santana e Simone no palanque de Raquel acendem o alerta no PSB


A política pernambucana assiste a uma reconfiguração acelerada em seu principal reduto eleitoral. O gesto consolidado em Ipojuca, com a ida do prefeito Carlos Santana (Republicanos) e de sua esposa, a deputada estadual Simone Santana (PSB), para a base da governadora Raquel Lyra, simboliza uma transformação muito mais ampla no mapa de poder da Região Metropolitana do Recife. Historicamente tratada como território consolidado e reduto quase exclusivo da hegemonia do PSB de João Campos e da Frente Popular, a RMR vê o Palácio do Campo das Princesas avançar com passos firmes e atrair prefeituras estratégicas:

Contradição partidária: Simone Santana pertence aos quadros do PSB, legenda que encabeça o projeto de oposição estadual liderado pelo prefeito do Recife, João Campos. Ao mesmo tempo, o Republicanos, partido de Carlos Santana, integra composições de peso (como o vice na chapa de João com Carlos Costa) no cenário estadual, mas viu o gestor ipojucano marchar ao lado do Palácio do Campo das Princesas.

Relações de bastidor: A família Santana mantém laços históricos e de parentesco com a linhagem política socialista e a família Arraes/Campos, tornando o desembarque no palanque palaciano um gesto de forte simbolismo político e desgaste para a oposição metropolitana. Aliás, vale lembrar que foi a filha de Santana que João deixou o noivadoàs vésperas do casamento para ficar com Tabata, com que se casou em seguida.

Inimigos no mesmo barco: Em Ipojuca, os Santana rivalizam historicamente com o grupo da ex-prefeita Célia Sales e do deputado Romero Sales Filho.  . Ao atrair Carlos e Simone, Raquel Lyra conseguiu a proeza de colocar adversários locais ferrenhos sob o mesmo guarda-chuva estadual. Como já disse aqui, "reeditando o estilo agregador de Eduardo Campos".

Peso econômico e eleitoral: Dono do terceiro maior PIB do estado e polo do complexo industrial-portuário de Suape, Ipojuca é peça-chave para quem quer governabilidade e capilaridade. Com essa adesão, o Palácio consolida o apoio da ampla maioria das prefeituras da Região Metropolitana do Recife. 

A leitura nos bastidores é clara: enquanto o PSB tenta segurar suas bases históricas, a articulação política do governo estadual avança sobre redutos estratégicos da RMR, aproveitando fissuras municipais e demonstrando poder de atração até sobre parlamentares socialistas.

A Conexão Brasília Pernambuco quer saber: Diante do avanço contínuo do Palácio sobre os municípios vizinhos à capital, haverá tempo hábil e fôlego de articulação para que a oposição socialista reorganize as bases e recupere o terreno perdido na Região Metropolitana do Recife, ou o novo mapa de poder metropolitano veio para ficar?

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