Blog do Adriano Roberto

A toga virou cabo eleitoral: como o STF empurra votos para a oposição

 


Brasília parece operar em um fuso horário paralelo, imune à vida real. Enquanto o cidadão comum bate ponto cedo e faz contas na ponta do lápis para fechar o mês na feira, vendo o carrinho no supermercado cada vez mais vazio, assim como o bolso, o plenário do Supremo Tribunal Federal segue oferecendo um roteiro contínuo de malabarismos regimentais, votos sob medida e um protagonismo político desmedido (em detrimento do devido processo legal).

Acontece que a fatura desse espetáculo não fica restrita ao prédio de vidro da Praça dos Três Poderes. Ela cai com força total no colo do presidente Lula. A população não sabe a escalação da Seleção Brasileira, mas conhece todos os ministros do STF. Eles mesmos fazem questão de estar sob os holofotes da mídia em tempo integral.

Para o eleitor, a fronteira entre as decisões de determinados ministros e a conveniência do Palácio do Planalto simplesmente ruiu. Quando magistrados indicados ou historicamente alinhados ao petismo entram em campo para criar enroscos em votações e blindar pautas palacianas, o tribunal abandona a postura de árbitro neutro. A leitura popular é imediata e impiedosa: vê-se um sistema jogando em causa própria para proteger seus pares. O desgaste é direto, evidente e desgasta a imagem do governo federal.

É nesse cenário que a ironia da política nacional se revela em sua melhor forma: ninguém tem feito tanta campanha para o senador Flávio Bolsonaro quanto o próprio Supremo.

A cada decisão controversa, a cada manobra para contornar o Congresso ou esticar os limites constitucionais, a oposição ganha de bandeja o combustível mais valioso de uma corrida eleitoral; a indignação legítima do eleitor. Flávio nem precisa de esforço retórico para convencer quem está saturado de assistir ao Judiciário agir como força política partidária. O próprio tribunal se encarrega de produzir a matéria-prima do protesto dia após dia.

A soberba das togas cobra juros compostos. Ao acreditarem que tutelam o destino do país, os ministros apenas aprofundam a revolta popular e empurram o eleitor de centro e indeciso direto para os braços do adversário. A política tem pavor de vácuo, e hoje, queiram ou não os magistrados, a toga tornou-se o cabo eleitoral mais eficiente da oposição.

A Conexão Brasília Pernambuco quer saber: Você acredita que o povo vai dar a resposta nas urnas com relação a toda essa parafernália no STF?

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