Blog do Adriano Roberto

Guerra de contracheques: o tiro de João Campos e o troco governista com Renata Campos

 


Enquanto Brasília gasta saliva e energia com os impasses institucionais do Supremo Tribunal Federal, o termômetro político em Pernambuco atingiu o ponto de fervura neste início de semana. Com a corrida pelo Palácio do Campo das Princesas embolada e as pesquisas apontando empate técnico na margem de erro, a disputa abandonou de vez as propostas programáticas e desceu para a lama da guerra de contracheques e da judicialização.

A ofensiva partiu da campanha de João Campos (PSB), que lançou mão de uma página temática na internet batizada de "O Maior Salário do Brasil". A artilharia socialista acusa a governadora Raquel Lyra (PSD) de receber valores acima do teto constitucional ao optar pelo salário do seu cargo de origem (procuradora do Estado) em detrimento do subsídio de governadora.Segundo a oposição, somando vantagens e verbas indenizatórias, a remuneração mensal atinge cerca de R$ 60,8 mil, gerando um montante acumulado superior a R$ 2,2 milhões ao longo do mandato. O movimento tenta atingir em cheio o pilar da austeridade fiscal e da moralidade administrativa, bandeiras centrais do discurso da governadora.

O Palácio e a equipe jurídica de Raquel reagiram de pronto. A tese da defesa sustenta que a opção pela remuneração da carreira pública efetiva é prerrogativa expressamente assegurada pela Lei Estadual nº 18.139/2023 e pelas normas do funcionalismo modelo semelhante, lembram os governistas, ao adotado por gestores anteriores do próprio PSB, como Paulo Câmara e Geraldo Julio.

Só que o contra-ataque dos aliados de Raquel não parou na argumentação jurídica. O núcleo governista foi buscar o troco no mesmo quintal da transparência pública, puxando para o centro da refrega o contracheque de ninguém menos que Renata Campos, mãe do ex-prefeito e auditora de controle externo do Tribunal de Contas do Estado (TCE-PE). O cálculo governista aponta que, somando penduricalhos, indenizações e gratificações da carreira no Tribunal de Contas, a remuneração de Renata chega a romper os R$ 70 mil mensais brutos em determinados períodos, acumulando mais de R$ 2,4 milhões no período recente. A mensagem política foi cirúrgica: quem mora em teto de vidro não deveria atirar a primeira pedra.

Mais do que uma discussão sobre legalidade estrita, já que carreiras típicas de Estado possuem regimes próprios e verbas indenizatórias historicamente amparadas em decisões corporativas e jurídicas, a criação do site e a escalada da denúncia revelam o nível de ansiedade - e porque não falar desespero - no comitê socialista.

João Campos liderou boa parte do pleito com folga, mas viu a vantagem se dissolver à medida que a máquina estadual consolidou apoios estratégicos no interior e equilibrou a disputa. Apelar a uma plataforma focada no bolso da governadora não soa apenas como tática de desconstrução ética: carrega o cheiro do desespero de quem sente o relógio correr contra si no primeiro turno e tenta, a qualquer custo, elevar a rejeição da adversária. O problema para o ex-prefeito é que a resposta veio na mesma moeda, expondo as entranhas salariais de sua própria retaguarda política. Quem pretendia constranger acabou vendo o feitiço virar contra o feiticeiro.

A Conexão Brasília Pernambuco quer saber: A campanha vai esquentar mais a partir de agora, há 20 dias da eleição e descambar para mais baixarias?

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