A passagem de Flávio Bolsonaro pelo Recife rendeu o espetáculo político completo que a reta final costuma entregar. Com direito a concentração movimentada e um Cais da Alfândega lotado de militantes de verde e amarelo, o ato serviu para testar o fôlego da direita na capital pernambucana. Para os adversários, o mar de gente na beira do Capibaribe deixou um incômodo nítido — até porque, do lado de lá, o presidente Lula segue sem dar qualquer sinalização, por parte do Palácio do Planalto, de que pretende pisar em solo recifense tão cedo, provocando uma ponta de ciúme e cobrança velada na base aliada. Mas, no palco de Flávio, os bastidores e o não-dito acabaram pesando mais do que o público reunido.
A trapalhada das bandeiras
O pré-evento já vinha em clima de tensão com a denúncia de que militantes ligados ao grupo do PSB teriam roubado bandeiras da governadora Raquel Lyra para colocá-las no palanque bolsonarista. A estratégia parecia desenhada: forçar a associação direta da imagem de Raquel ao bolsonarismo no coração do Recife. O plano, contudo, desidratou rapidamente.
O silêncio sobre Raquel e o pragmatismo das urnas
Se a oposição socialista esperava um palanque condecorando Raquel como a candidata oficial da família Bolsonaro, o que se viu foi um pragmatismo gélido. Flávio não subiu o tom em defesa da governadora, não pediu votos para ela e sequer tocou no assunto de firmar qualquer apoio formal. Ao deixar a militância inteiramente à vontade para votar em quem quiser, o senador frustrou qualquer tentativa de rotulação: Raquel segue mantendo sua postura institucional distante, enquanto o PL local não vê motivo para entregar capital político de graça. A manobra das bandeiras virou pólvora molhada.
Brasília: o STF no centro do tabuleiro Enquanto a disputa local ferve no asfalto, os olhos continuam virados para a Praça dos Três Poderes. O imbróglio envolvendo o Supremo Tribunal Federal segue como a principal linha de tensão institucional do país e parece longe de ter um desfecho rápido. A fervura em Brasília não apenas alimenta o discurso de palanques como o de ontem no Recife, mas dita o ritmo de instabilidade que deve acompanhar a política nacional pelos próximos meses.
A eleição por aqui segue sem manual de instrução, e quem tentar reduzir os arranjos pernambucanos a preto no branco vai continuar errando as contas.
A Conexão Brasília Pernambuco quer saber: A militância do PSB esfria ao ver Flávio com palanque robusto em Recife e não ver Lula no palanque de João no nosso Estado?
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